quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Curadoria

Pessoal, vamos sugerir alguns materiais disponíveis na web que podem auxiliar na formação leitora. Há indicação de tema, tipo de conteúdo (aplicativo, software, texto, etc.) e uma breve descrição comentada do objeto.

Abaixo, nossa primeira dica.



Tema: Material de consulta – Construção de repertório

Conteúdo: Aplicativo

Disponível em:


Descrição: O  Jornal do Brasil fez a união de todos os jornais e revistas brasileiros para que o leitor possa, pelo celular, estar por dentro de todas as notícias e reportagens que lhe interessar. O aplicativo permite, além da opção de escolha, ordenar as notícias e reportagens de acordo com o critério do leitor, compartilhar o que é lido, adicionar ou excluir jornais e revistas, ajustar o tamanho da fonte, dentre outras funções. Ideal para o estudante que precisa manter-se atualizado, pois esse quesito também está presente em avaliações de vestibulares. 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O Cortiço - Vídeo 2 - Importância da obra

Qual o critério de escolha das obras de leitura obrigatória nos vestibulares da Unicamp e Fuvest?

Assista ao nosso novo vídeo, veja qual a importância dessa obra de Aluísio Azevedo, e compreenda melhor esse assunto.


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Não tinha fotografia em 1890?

Tinha. Embora não se possa datar precisamente quando foi “inventada” a fotografia, já que ela é fruto de um processo de descobertas e inovações ao longo dos anos (conheça essa história aqui e aqui), essa tecnologia já existia em 1890, ano da publicação da obra “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo.

Então, por que afirmamos, em nosso segundo vídeo sobre O Cortiço, que Aluísio Azevedo descrevia cenas e ambientes tão detalhadamente porque, entre outros motivos, não havia fotografia naquela época?

Porque o processo de fotografar, o acesso a equipamentos ou mesmo a fotos impressas não era algo comum. Para se ter uma ideia, a primeira foto impressa numa revista no Brasil data de 1900 (saiba mais aqui). Ou seja: fotografar era um privilégio a que poucas pessoas tinham acesso.

Seria como afirmar que não havia computadores em 1970. Havia. Mas seu uso ainda estava longe de ser popular.

Determinismo

(O texto abaixo foi publicado originalmente no Blog do PH. Mas achamos importante reproduzi-lo aqui porque o termo é citado em um dos vídeos da Bentinha)

“À noite e aos domingos ainda mais recrudescia o seu azedume, quando ele, recolhendo-se fatigado do serviço, deixava-se ficar estendido numa preguiçosa, junto à mesa da sala de jantar, e ouvia, a contragosto, o grosseiro rumor que vinha da estalagem numa exalação forte de animais cansados. Não podia chegar à janela sem receber no rosto aquele bafo, quente e sensual, que o embebedava com o seu fartum de bestas no coito”.

“Também cantou. E cada verso que vinha da sua boca de mulata era um arrulhar choroso de pomba no cio. E o Firmo, bêbedo de volúpia, enroscava-se todo ao violão; e o violão e ele gemiam com o mesmo gosto, grunhindo, ganindo, miando, com todas as vozes de bichos sensuais, num desespero de luxúria que penetrava até ao tutano com línguas finíssimas de cobra”.

“E o mugido lúgubre daquela pobre criatura abandonada antepunha à rude agitação do cortiço uma nota lamentosa e tristonha de uma vaca chamando ao longe, perdida ao cair da noite num lugar desconhecido e agreste”.

“Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra”.

“Mas desde que Jerônimo propendeu para ela, fascinando-a com a sua tranquila seriedade de animal bom e forte, o sangue da mestiça reclamou os seus direitos de apuração, e Rita preferiu no europeu o macho de raça superior”.

Esses são trechos de “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, obra que estamos analisando durante o mês de janeiro.

Você percebe algo em comum nesses trechos? Nas partes destacadas em itálico?

Há uma “animalização” dos personagens. Os habitantes do cortiço exalam o cheiro de animais. Rita Baiana arrulha como uma pomba. Firmo geme, grunhe, gane, mia junto com seu instrumento. Uma mulher muge. Os movimentos, os cheiros, os sentidos, as cores, os sons, tudo parece se referir a animais, não a pessoas.

Essa animalização dos personagens é uma das características do Naturalismo literário. Fruto da segunda metade do século XIX, o Naturalismo tinha como um de seus atributos uma visão determinista. Isso quer dizer que o Naturalismo considerava o homem um ser sujeito a seus instintos, ao meio onde vivia e à hereditariedade. Como um animal. Os autores do Naturalismo partiam do princípio de que as atitudes humanas podiam ser explicadas pela ciência, de forma extremamente objetiva.

Essa visão determinista tem origem no Determinismo: uma teoria filosófica que afirma a existência de três fatores determinantes no comportamento humano: o meio-ambiente, a raça e o momento histórico. Tal teoria não é criação de um único filósofo, mas um de seus expoentes é o francês Hippolyte Taine (1828 – 1893).

Dessa forma, pensando n’O Cortiço, as atitudes de João Romão, Jerônimo e demais personagens do romance seriam ditadas pelo meio. Todos agiriam por instinto, a partir de características herdadas pelo sangue, hereditárias. É quase uma falta de livre-arbítrio: faz-se o que o meio manda, na base do instinto, praticamente sem alternativa a não ser obedecer...

É por isso que algumas análises dessa obra apontam o próprio cortiço como um personagem da história, já que, mais do que o local onde se desenrolam as ações, ele seria o ambiente que determina essas ações.

Bentinha explica: o que é um cronópio?

Mas, afinal, o que é um cronópio?

Cronópio é uma das inúmeras maravilhas criadas por Julio Cortázar. O termo aparece pela primeira vez em 1952, no título de um artigo sobre Louis Armstrong (*). Dez anos depois, o livro “Histórias de Cronópios e de Famas” apresenta os cronópios como “objetos verdes e úmidos”, protagonizando 20 histórias, ao lado dos famas e das esperanças. 

Personagens de ficção, metáfora para poetas e loucos, criaturas sensíveis e idealistas que “perdem a conta dos dias”, que seja. Nada melhor do que definir um cronópio através de uma de suas histórias:

“Agora acontece que as tartarugas são grandes admiradoras da velocidade, como é natural. As esperanças sabem disso e não ligam. Os famas sabem e caçoam. Os cronópios sabem e, cada vez que encontram uma tartaruga, puxam a caixa de giz colorido e na lousa redonda da tartaruga desenham uma andorinha.”


(*) CORTAZAR, Julio. “Louis, enormíssimo cronópio”, em A volta ao dia em 80 mundos – tomo II. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. 

Ouça o próprio Cortázar lendo o texto aqui.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O Cortiço - VT 1 - Resumo

O vídeo inaugural do Projeto Bentinha está no ar! Como primeira obra analisada, temos "O Cortiço", de Aluísio Azevedo. Veja um resumo do livro (e entenda por que um resumo não substitui a leitura da obra...).


Começando os trabalhos

(ATENÇÃO! A LISTA ABAIXO SOFREU ALTERAÇÕES! VEJA O POST DE 14/03/2016!)

Olá! Bem-vindo ao Projeto Bentinha, uma iniciativa da Cronópios Editora que objetiva ajudar você a ler melhor.

Para começar os trabalhos, vamos à primeira etapa do Projeto, que tomará todo o ano de 2016: analisar as obras exigidas pela Fuvest e Unicamp no vestibular 2017. Há algumas obras em comum aos dois exames. Ao todo, temos 18 obras:

  1. Viagens na minha terra – Almeida Garrett
  2. Til – José de Alencar
  3. Memórias de um sargento de milícias – Manuel Antônio de Almeida
  4. Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
  5. O cortiço – Aluísio Azevedo
  6. A cidade e as serras – Eça de Queirós
  7. Vidas secas – Graciliano Ramos
  8. Capitães da areia – Jorge Amado
  9. Sentimento do mundo – Carlos Drummond de Andrade
  10. Sonetos - Luís de Camões
  11. Poemas Negros - Jorge de Lima
  12. Amor, do livro Laços de Família - Clarice Lispector
  13. A hora e a vez de Augusto Matraga, do livro Sagarana - Guimarães Rosa
  14. Negrinha, do livro Negrinha - Monteiro Lobato
  15. Lisbela e o Prisioneiro - Osmar Lins
  16. Coração, cabeça e estômago - Camilo Castelo Branco
  17. Caminhos Cruzados - Érico Veríssimo
  18. Terra Sonâmbula - Mia Couto

As análises serão feitas em vídeo e seguirão um roteiro composto por três itens: resumo, importância da obra e pontos de destaque.

Postagens no blog complementarão o conteúdo dos vídeos, num diálogo constante entre as duas mídias.

Agora, o mais importante: esse é um trabalho que corre paralelo à leitura. Nada aqui vai substituir a leitura das 18 obras! Por isso, tenha em mente que você vai aproveitar melhor o conteúdo dos vídeos e do blog se já tiver lido a obra a qual o material se refere.

Será bom ter em mente outra coisa também: a sua participação é fundamental! Faça comentários aqui no blog, no canal do Youtube, no facebook... Nosso trabalho ficará mais rico e todos aproveitaremos melhor o que a Bentinha tem a oferecer...

Aliás, se você quiser saber detalhes sobre a Bentinha, dê uma olhada aqui.

Vamos começar a trabalhar!